As Pedras Clamam

As Obras de Vincent Cheung
16 min readApr 18, 2021

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Levaram-no a Jesus, lançaram seus mantos sobre o jumentinho e fizeram que Jesus montasse nele. Enquanto ele prosseguia, o povo estendia os seus mantos pelo caminho. Quando ele já estava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar a Deus alegremente, em alta voz, por todos os milagres que tinham visto. Exclamavam: “Bendito é o rei que vem em nome do Senhor!” “Paz no céu e glória nas alturas!” Alguns dos fariseus que estavam no meio da multidão disseram a Jesus: “Mestre, repreende os teus discípulos!” “Eu lhes digo”, respondeu ele, “se eles se calarem, as pedras clamarão”. (Lucas 19:35–40)

Vamos começar rotulando vagamente três estilos de adoração. Mesmo sem qualquer descrição, você deve — vagamente — saber o que significam. O primeiro tipo é encontrado nas igrejas consideradas mais tradicionais, históricas e ortodoxas. Podemos chamá-lo de culto formal ou culto fúnebre (CF). Quando você entra em uma igreja e vê os membros se comportando como se estivessem realizando um funeral para Deus, com um grupo de pessoas estranhas lá na frente vestidas como fantasmas de desenho animado, mas fingindo ser anjos, como se estivessem ansiando retornar ao catolicismo, isso é CF. Também é encontrado em igrejas liberais tradicionais. O segundo tipo é encontrado em igrejas contemporâneas, bem como em algumas igrejas tradicionais. É popular em congregações carismáticas, mas também é aceito nas seitas cessacionistas contemporâneos. Podemos chamá-lo de culto moderno (CM). O terceiro tipo é o culto bíblico (CB). Com isso nos referimos ao tipo de culto que é encontrado na Bíblia e que é aprovado por Deus. Nosso texto apresenta um exemplo de culto bíblico.

É claro, o CF e CM podem incluir características que se sobrepõem com o CB, mas o CB permanece por si só para que possa ser discutido como o padrão. Existem variações entre CF e CM. Algumas pessoas do CF creem que Deus mal está vivo em vez de estar totalmente morto. Ou creem que Deus está muito vivo, mas Ele não faz nada do que prometeu porque é um soberano mentiroso. De vez em quando, as pessoas do CF e CM até acidentalmente adoram a Deus em espírito e em verdade. Seja CF ou CM, existem falhas graves na forma como as pessoas adoram, falhas que elas parecem relutantes em admitir. Em qualquer caso, aquela com o qual realmente nos importamos é o CB. E a razão pela qual podemos falar livremente é porque temos apenas um só propósito que não exige muita precisão, que é considerar algumas das críticas que o CF faz contra o CM.

Todos os quatro Evangelhos relatam esse incidente (Mateus 21:1–16; Marcos 11:1–11; Lucas 19:28–40; João 12:12–19). O povo louvou a Deus de uma forma que Jesus aprovou. Eles louvaram a Deus por milagres. Suas palavras eram simples. Eles eram emocionais. Eles faziam barulho e movimentos. E eles provavelmente mantiveram um refrão por um longo período. O texto é um exemplo, mas vemos as mesmas características em algumas das outras partes das Escrituras onde as pessoas adoravam a Deus de uma forma que Ele aprovava. No entanto, vemos o CF atacar o CM por essas mesmas coisas. É importante saber que: eu não estou defendendo o CM. Existem muitas variações no CM para eu dissecar a fim de atacar isso ou defender aquilo em um ensaio curto. Em vez disso, quero dizer que o CF se expõe pelas críticas que faz contra os outros. Estou apontando que os do CF estão tão cheios de si mesmos e sem contato com Deus que, quando atacam o CM, estão agindo como os fariseus que disseram a Jesus para repreender Seus próprios discípulos por O louvarem de maneira excelente. Aqueles são como os que odiavam Jesus e assassinaram Jesus para proteger suas próprias tradições e interesses, e não como aqueles que receberam Jesus e adoraram Jesus. O evento revelou o coração dos homens. E o CF se expõe como pessoas que odeiam a Deus ao invés de serem amigos de Deus quando repetem as mesmas atitudes que fizeram seus ancestrais espirituais matarem o Filho de Deus, para que eles possam manter sua religião. Se fôssemos aceitar o padrão do CF, então as pessoas que Jesus aprovou fizeram tudo errado. O que é um louvor excelente? O que é uma adoração verdadeira e correta? O texto nos responde.

É bom louvar a Deus por milagres, profecias, cura, prosperidade e todos os tipos de bênçãos, e esperar mais dessas coisas d’Ele. É apropriado vê-lo como alguém que faz essas coisas e louvá-lo por causa dessas coisas. Existem outros motivos para louvar a Deus, mas esse motivo não é errado — é um motivo que Jesus aprovou. Eles não estavam buscando sinais e maravilhas em vez de Jesus. Eles já os viram e estão louvando a Deus e dando boas-vindas a Cristo por causa desses milagres. Eles perceberam que Deus não pode ser separado de Seu poder, assim como Ele não pode ser separado de Seu amor ou sabedoria. Louvar a Deus pelo que Ele é e pelo que faz significa louvar a Deus. E se você louvar a Deus por Sua santidade e alguém te acusar de buscar Sua santidade em vez de buscar o próprio Deus? É igualmente estúpido criticar aqueles que adoram a Deus por Seus milagres e por Seus benefícios. A verdade é que os críticos são aqueles cujos corações estão divididos sobre a pessoa de Deus e a bênção de Deus — eu não penso assim de forma alguma — e eles se expõem quando atacam os outros. Obviamente, as pessoas não estavam buscando sinais e maravilhas para que pudessem crer em Jesus. Eles já criam n’Ele e o receberam bem. Mas Jesus foi contra aqueles que são como os cessacionistas de hoje, que recusam as coisas que a palavra de Deus claramente ensina, mas exigem sinais para prová-las, e ainda se recusam a crer quando milagres acontecem.

É bom louvar a Deus com palavras simples, ou o que o CF chamaria de teologia “superficial”. Superficial ou não, qualquer coisa que seja verdadeira teologia é boa teologia. Teologia simples, ou mesmo superficial, não é o mesmo que teologia falsa. Obviamente, se nunca exibimos riqueza em nossas orações e louvores, então algo está faltando. O anti-intelectualismo impede o progresso espiritual. Mas independentemente de quanto conhecimento tenhamos adquirido, nunca é muito superficial clamar: “Oh Deus, eu te amo e te louvo!” quinhentas vezes — se você diz isso com sinceridade nas quinhentas vezes. Na verdade, é teologia superficial desprezar isso. Se algumas pessoas são muito superficiais em sua adoração, também podemos dizer que os do CF são muito orgulhosos — orgulhosos contra Deus! — em sua procissão fúnebre semanal para Jesus. É importante alcançar uma teologia profunda, porque Deus revelou Sua mente com muita riqueza e sabedoria, e porque às vezes é necessário abordar questões mais complicadas. Mas muitas pessoas são motivadas por um espírito errado, e fingem ser especialistas quando não têm aptidão ou desenvolvimento. Elas buscam conhecimento teológico para apoiar seu orgulho religioso e se sentirem superiores. Isso é vaidade. A teologia deve ser um ato de adoração, mas isso é o oposto de adoração. É melhor que pessoas como essas permaneçam simples por um tempo, para que seu caráter e conhecimento possam crescer juntos.

Além disso, o CF não exerce teologia profunda em sua adoração. Eles pensam que sim, mas é principalmente uma demonstração profunda de incredulidade e tradição, não de uma verdade profunda. Dê-me seus hinários. Localize os melhores cânticos. Em muitos desses cânticos, podemos destruir sua teologia até que ela se assemelhe a nada mais do que um ateísmo desonesto. Mas as pessoas do CF não notam os erros neles, porque a incredulidade é a maneira como pensam o tempo todo, e esses hinos frequentemente expressam o zênite de seu pensamento de forma destilada. Estes hinos representam a culminação de sua fé. Ainda assim, quando eles são cantados, nós os ouvimos anunciando a miséria do pecado nos homens, ao invés da justiça de Cristo em nós. Nós os ouvimos adorando o pecado, a doença, a pobreza, o sofrimento e a derrota. Mas não deveria existir um Deus em algum lugar? Aparentemente, é Ele quem está fazendo todas essas coisas terríveis com eles em primeiro lugar. Deus e Satanás juntaram as mãos contra eles, e quando há algum alívio, qualquer cura, qualquer prosperidade, muito provavelmente vem de Satanás. Não admira que estejam deprimidos. Não é de admirar que precisam de terapia constante, geralmente de não cristãos. É para que eles possam encontrar uma trégua em sua teologia mortal.

Imagine se Jesus entrasse na igreja e ouvisse isso. Não diria Ele: “Espere, vocês sabem que fiz algo sobre tudo isso há 2.000 anos, certo? Quero dizer, com um pouco de fé, vocês não precisavam aturar essas coisas antes mesmo de Eu vir. Mas tornei tudo melhor, ainda mais fácil, não pior. Meus discípulos não lhes contaram? Ninguém pregou o Evangelho todos esses anos? Ah, presumi que vocês fossem cristãos. Isso soa mais como um grupo de estudo para o confucionismo ou budismo. Acho que Vincent me deu o endereço errado.” Eles diriam: “Você não vê que este é um funeral para o Deus que cessou? Estamos Te adorando e exigimos ordem! Cale a boca para que possamos reverenciá-lo um pouco mais! Ou você quer que nós O crucifiquemos de novo?” Jesus lamenta: “Não! Por favor não! Vocês são tão entediosos e pretensiosos que tenho vontade de vomitar! Eu disse que a igreja deve ser uma luz num monte, mas vocês a transformaram em um covil de perdedores. Essa adoração é uma tortura. Me deixe sair!” Se você acha que isso é ridículo e que Jesus não reagiria dessa forma, você está correto. O Jesus que conhecemos pela Escritura é muito menos tolerante com a incredulidade e a derrota. Ele provavelmente removeria a luz daquela congregação, como fez com milhares de igrejas tradicionais. Não confunda a paciência de Deus com Sua aprovação. Por quanto tempo Ele tolerará sua incredulidade? Quanto tempo vai demorar até que o machado acerte a raiz da árvore?

É bom louvar a Deus com explosões emocionais. Podemos abrir espaço para temperamentos diferentes. Algumas pessoas são mais extrovertidas. Algumas pessoas são mais calmas. Também há pessoas que agem muito dignificadas[1] quando a verdade é que são muito arrogantes diante do Senhor. Certamente, não podemos dizer que as demonstrações emocionais são erradas na adoração, a menos que alguém esteja sendo emocional por si mesmo ou para atrair a atenção para si mesmo. Mas veja, se todos estão louvando a Deus com alegria e dançando, e você é o único sentado com aquele olhar desamparado em seu rosto, então é você quem está atraindo atenção para si mesmo. Você é o único fora de ordem. Mesmo que você odeie tanto a Deus, você pode pelo menos ser educado. Fique de pé e levante as mãos para apoiar as pessoas ao seu redor que estão adorando a Deus de todo o coração. Talvez o espírito de fé e alegria caia sobre você também.

Não há necessidade de gritar ou dançar cada vez que você adora a Deus, mas não é errado gritar ou dançar, se é assim que você se expressa sinceramente no momento. Na verdade, não há necessidade de emoções quando você exclama ou dança. Você pode gritar pela fé. Você pode dançar pela fé. Mesmo quando você não sente nada, você pode se alegrar por causa do que a palavra de Deus diz sobre Deus e sobre a sua redenção. Se isso for proveniente da fé, é uma expressão sincera. E os sentimentos correspondentes virão quando você começar pela fé. Isso é o mesmo que como a cura vem da palavra de Deus. Claro, quando todas as doenças desaparecerem e você estiver se sentindo bem, pode louvar a Deus com alegria e sinceridade. Isso é adequado, mas qualquer um pode fazer isso. Quem anda pela fé e não pela vista, ou não pelos sentimentos, pode louvar a Deus por Sua cura por causa do que a palavra de Deus diz, mesmo quando está encarando a morte, e em seguida vem a cura. Este é o modelo de fé que Abraão nos deixou, e Deus considerou essa fé para cura física como justiça (Romanos 4:16–22).

O louvor deve vir da fé, seja com emoções ou sem emoções, seja na teologia superficial ou na teologia profunda. Sem fé, quanto mais profunda a teologia, maior a condenação. E parece que a maioria dos que defendem a teologia profunda na adoração, e desprezam os outros por causa de suas palavras superficiais, não têm fé. Eles acham que têm muita fé, mas não é o tipo de fé que Jesus ensinou a Seus discípulos. Não é nada mais do que tradição humana e força de vontade que eles contam como fé. As pessoas discutem sobre uma longa lista de coisas quando se trata de adoração, mas a questão mais essencial é a fé. Cante os Salmos, não cante os Salmos. Use instrumentos, não use instrumentos. Levante-se ou sente-se. Dance ou caia. Protestantes com vestes católicas ou sem vestes católicas. Faça como um show de rock, não faça como um show de rock. Quando não há fé, não importa quem vence o debate, porque todos perdem. Adore a Deus pela fé. Louve ao Senhor com sons de vitória em qualquer situação. Paulo e Silas louvaram a Deus quando foram espancados e presos. Então Deus enviou um terremoto que abalou os próprios alicerces. Todas as portas se abriram e todas as cadeias se quebraram. Esta é a adoração bíblica. Faça isso primeiro e, depois que deixarmos você na creche, você poderá fazer toda a briguinha de rua para saber se pode encontrar Jesus naquele pequeno cálice de suco de uva.

É bom louvar a Deus com gritos e expressões físicas. Isso é visto em toda a Bíblia. Não há necessidade de defender isso e não há como atacá-lo. É apenas uma questão de aceitarmos ou não a autoridade da Escritura, e isso é uma questão de sermos ou não cristãos em primeiro lugar. Podemos falar alto ou podemos ficar quietos, mas alto não é errado. Há o gritar por gritar, e isso não é adoração. Mas há também um louvor estrondoso e triunfante a Deus, e isso é glorioso. Se até as árvores sabem bater palmas, aqueles que se recusam a bater palmas estão errados. Se até as pedras clamariam como tais pessoas, aqueles que se recusam a gritar louvores a Deus são piores do que pedras. Devemos fazer a ordenação das pedras e colocá-las em nossos púlpitos, em vez de fabricar mais zumbidos de seminário.

É bom louvar a Deus repetidamente com o mesmo refrão. Você não precisa fazer isso, mas não estaria errado. As pessoas provavelmente não concordaram com uma longa série de hinos ao passo que Jesus chegava, mas principalmente repetiram as palavras conforme registradas, mesmo que nosso texto pudesse ser uma versão resumida. Alguns teólogos cristãos acusaram a adoração carismática de praticar hipnotismo ou lavagem cerebral porque as pessoas continuam cantando as mesmas palavras! Esta é a sua “apologética” e “vigilância-contra-seitas” em ação. Se você é contra gritar “Jesus é o Senhor!” ou “O Senhor reina!” ou “Louvado seja o Senhor, pois Sua misericórdia dura para sempre!” quinhentas vezes junto com seus irmãos e irmãs, então você é aquele que está com defeito. Só de escrever isso me dá vontade de gritar agora. Mesmo assim, os defensores da fé endurecem o coração. Lavagem cerebral? Lavagem cerebral com o quê? Com a verdade? Com palavras de fé e adoração? O problema não seria com quais palavras estamos repetindo? Ou não podemos sequer louvar a Deus com as mesmas palavras mais de duas ou três vezes seguidas? Quatro vezes, e você é uma seita! Dez vezes e você está numa transe, cara! Se as palavras estiverem erradas, não devemos cantá-las nem uma vez. Mas se as palavras são boas, então por que importa quantas vezes as repetimos? Muitos teólogos sofreram lavagem cerebral por Satanás.

Todos os quatro Evangelhos observam a desaprovação por parte dos fariseus do comportamento da multidão (Mateus 21:16–18; Marcos 11:12–18; Lucas 19:39–46; João 12:9–11, 17–19). Embora a elite religiosa desprezasse as pessoas comuns (João 9:34), foi aquela que perdeu o contato com Deus. Qualquer um que teve fé se elevou acima deles e excedeu os líderes teológicos em seu lugar com Deus. Uma perspectiva que condena a adoração simples, sincera e exuberante a Jesus é uma religião falsa. A elite religiosa se unge como guardiã da fé, mas é ela que exige que o próprio Senhor impeça as pessoas de oferecerem a adoração adequada. Não caia nesta armadilha. Nunca permita que o conhecimento se torne uma desculpa para altivez, uma licença para condenar aqueles que sinceramente adoram a Deus só porque são mais superficiais ou turbulentos. Quando julgam os adoradores que Deus aprova, eles próprios deixam de ser adoradores. A adoração não precisa ser complexa e técnica para ser excelente. Certamente, não precisa ser dignificada.[2] Se algumas são muito superficiais, então, em vez de dizer que sua adoração é ilegítima, por que você não os ensina? No entanto, se você não tem a mesma liberdade de gritar e dançar, cantar e entoar, falar palavras de triunfo e celebração, e se tudo o que você tem a oferecer é sua atitude cínica, então seria melhor calar a sua boca e aprender com as pessoas primeiro. Elas são as melhores adoradoras. O que quer que lhes falte, você é muito pior.

Quando os religionistas estão obcecados por uma agenda para destruir seus inimigos, muitas vezes esquecem as coisas mais óbvias, como a Bíblia que afirmam defender. Eles falham em ver que suas críticas se aplicam à Bíblia ou ao próprio Deus. No final, Jesus e os marginalizados acabam do mesmo lado, enquanto os eruditos e críticos ficam do lado de fora olhando para dentro. Estes estão constantemente fazendo julgamentos, mas sempre acabam se condenando. Leia nosso texto novamente. A adoração em sua igreja é sempre assim? Ou é esse o tipo de adoração que sua igreja condena? A sua igreja está com as pessoas comuns que adoravam a Jesus, ou com as pessoas de mente elevada que assassinaram Jesus? Talvez você nunca tenha considerado a pergunta, mas depois de pensar a respeito, a resposta deve ser clara, porque as diferenças são óbvias. Você pode ficar chocado ao perceber que por tanto tempo você se envolveu com fraudes religiosas que se oporiam a Jesus, e o teriam assassinado assim como os fariseus sobre os quais você leu na Bíblia. Você está surpreso por estar ao lado daqueles que odeiam a Deus tão intensamente, mas que ousam falar em Seu nome. Talvez você tenha vergonha de ser uns dos que mais vociferam, encontrando todas as oportunidades para atacar aqueles que, ao contrário de você, adoram a Deus em espírito e em verdade. E todo esse tempo você pensou que estava fazendo um favor a Deus.

Você se lembra de como secretamente se regozijou quando seu vizinho pentecostal morreu de câncer. Você se sentiu justificado. Mas quando outra pessoa testemunhou que Deus a curou da paralisia e ela pôde andar novamente, você zombou dela e tentou desacreditá-la. Você herdou isso de seus antepassados espirituais, pois aqueles que assassinaram Jesus também queriam matar a Lázaro (João 12:9–11). Independentemente do que a Escritura diz, você se arma e se recusa a crer. Agora que você pensa sobre isso, você nunca orou pelo seu vizinho. Você nunca o ajudou. Você nunca pediu a Deus para fazer um milagre por ele. Você apenas discutiu com ele. Que tipo de pessoa se comportaria assim? Agora você teme por sua alma. Você luta sua “guerra pela adoração”, como tem sido chamada. Aqueles do outro lado não lutam contra você — eles apenas adoram. Você vai à-caça-de-seitas e faz sua “apologética”. Seu vizinho não tinha seus diplomas de instituições humanas. Ele não poderia usar palavras do seminário como você. Ele conhecia apenas as Escrituras e tentou explicar as coisas a você com a palavra de Deus, mas você o rejeitou. Mesmo assim, quando ele soube que sua filha estava gravemente doente, ele orou a Deus por ela e se alegrou com lágrimas quando ela se recuperou. Que tipo de pessoa ele era? Ele era um seguidor de Jesus. E você? Você não é nada como ele. Você é apenas um tolo arrogante e inútil. E agora você está com medo. Ou estou muito otimista? Você poderia endurecer seu coração ainda mais e selar seu destino para sempre.

Os do CF afirmam que sua forma de adoração é a reverência, mas é a tradição deles e não a Bíblia que define sua reverência. Visto que sua tradição é feita pelo homem, e a tradição é ou feita por eles ou aceita por eles, na realidade eles reverenciam si próprios. Eles cultuam a si mesmos. Eles fervem de indignação quando outros cultuam o Deus verdadeiro, e é por isso que criticam a forma de adoração de outras pessoas, reclamando de coisas que muitas vezes correspondem exatamente à adoração bíblica. Eles não adoram a Deus. Eles falam de fora olhando para dentro. Como Deus disse, eles se aproximam d’Ele com os lábios, mas seus corações estão longe d’Ele.

Todos os Evangelhos, e especialmente os Sinóticos, prenunciam o julgamento de Deus contra o sistema religioso que subverte a adoração verdadeira (Mateus 21:12–13, 18–19; Marcos 11:13–17; Lucas 19:41–46; João 12:31–32). Jesus amaldiçoou a figueira, dizendo: “Nunca mais dê frutos!” E a árvore secou desde as raízes. Ele predisse que o sistema cessaria para sempre e também previu a destruição do templo. A Bíblia diz que quando Davi trouxe a arca do Senhor, “ele dançava com todas as suas forças diante do Senhor” e “ao som de gritos de alegria e de trombetas” (2 Samuel 6:14–15). Quando Mical viu isso, “ela o desprezou em seu coração” (v. 16). Ela zombou: “Como o rei de Israel se destacou hoje, tirando o manto na frente das escravas de seus servos, como um homem vulgar!” (v. 20). “Vulgar” — é assim que todo mundo deve parecer para as pessoas do CF. Deve ser assim que eles me veem. Davi respondeu: “Também ainda mais do que isso me envilecerei, e me humilharei aos meus olhos!” (v. 22). Qual foi o veredicto de Deus? A Bíblia diz: “E Mical, filha de Saul não teve filhos, até o dia de sua morte” (v. 23).

A tradição religiosa feita pelo homem pensa que o culto bíblico é degradante. Eles têm uma alternativa dignificada.[3] Todo mundo é respeitável. Ninguém fica envergonhado. Deus merece a solenidade de um funeral. Quem disse isso? Olhando para a Bíblia, parece que Ele quer algum barulho. Parece que Ele quer alguma participação de todos, não apenas dos zumbidos terrivelmente ordenados. Parece que Ele quer alguma variedade, como canções e melodias espirituais, como línguas e profecias. E parece que Ele deseja alguns milagres, como a cura dos enfermos e a expulsão de demônios, e obras ainda maiores. Você sabe o que é realmente degradante? O que é verdadeiramente degradante é uma tradição religiosa infrutífera que faz afirmações grandiosas sobre si mesma, que policia todos os outros, mas que nada sabe sobre adorar a Deus, exceto para impedir os outros de adorá-lo. O que é realmente obsceno é uma igreja que expulsa o Espírito Santo em nome de Jesus quando as pessoas se reúnem. O que é verdadeiramente vulgar é uma igreja que está sob a maldição de Deus para permanecer estéril para sempre, uma igreja que não produz convertidos, que não profere profecias, que não faz milagres, mas que apenas prega muita ética e política. O que é verdadeiramente humilhante é um grupo de religiosos orgulhosos fraudulentos que ensinam a partir de um livro que fala sobre um Deus que perdoa todas as nossas iniquidades e cura todas as nossas doenças, quando toda a congregação é atingida pela consciência do pecado e todos estão apodrecendo com doenças e dependentes de remédios, morrendo de depressão e pobreza, o tempo todo alegando que seu sofrimento é dom de Deus. Oh, isso é nojento. Eu lhe digo, se não erguermos as nossas vozes, as pedras vomitarão.

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[1] Nota do tradutor: a palavra inglesa é dignified, e é definida como “demonstração ou expressão de dignidade em aparência, maneira ou linguagem” pela Merriam-Webster’s Third New International Dictionary, Unabridged, Incorporated, Version 3.0, 2003, CD-ROM. Original em inglês: “showing or expressive of dignity in appearance, manner, or language”.

[2] Ibid.

[3] Ibid.

Vincent Cheung. The Stones Cry Out. Tradução: Nathan Cazé. Revisão: Gabriel Marcos.
Disponível em: https://monoergon.wordpress.com/2021/04/03/as-pedras-clamam-vincent-cheung/

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As Obras de Vincent Cheung
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Written by As Obras de Vincent Cheung

Vincent Cheung é um pregador e escritor cristão. Ele e sua esposa moram nos Estados Unidos. “Tudo é possível ao que crê.” (Marcos 9:23)

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